Quinta, Setembro 09, 2010
   
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OMB

Arte ou Profissão?

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Arte ou profissão?

Essa é a grande confusão que temos de começar a desfazer para que o músico possa ser visto como um profissional.

Um artista não precisa ser profissional para fazer arte. Isso é uma verdade.

No caso da música temos muitos casos de compositores que não sabiam escrever música. Porém todos precisavam de um músico profissional que pudesse ouvir o que eles inventavam e escrever a partitura, para que o artista registrasse sua obra e fosse então possível publicá-la e outros pudessem tocá-la.

Isso também se aplica a músicos e cantores que não são profissionais, porém são artistas, eles precisam que alguém com conhecimento toque a música antes para que eles a ouçam e reproduzam.

Agora, o que seria um músico profissional?

Como definir?

Simples: o músico profissional não precisa ouvir a musica, ele é capaz de ler a partitura e tocar e, portanto pode ouvir uma música e logo escrevê-la. Claro é, que para isto tem de dominar a teoria e a técnica, da mesma forma que um neuro-cirurgião deve conhecer a fundo toda a teoria médica, dominar os intrumentos médicos e cirúrgicos e usar um mapa do cérebro do paciente, como o músico utiliza a partitura.

Seguindo esse raciocínio, qualquer um pode falar de um tratamento médico, assim como qualquer um pode cantar desafinado. Não existe nenhum dano nisso.

Mas não é qualquer um que canta afinado naturalmente e mesmo que o faça, para poder fazê-lo de forma profissional, ou seja, com total qualidade tem de saber mais, portanto estudar e praticar até atingir esse nível, novamente da mesma forma que o estudante de medicina tem de mostrar aos seus professores que está pronto para iniciar a prática e só depois dessa prática assistida chegará a ponto de poder fazê-lo profissionalmente.
 
A proposta de criação da OMB é clara, garantir dignidade ao músico seja profissional ou artista, tendo sido criada para esse fim a figura do músico prático, que dá a este o reconhecimento dos profissionais para exercer a profissão de forma legalizada, e ainda lhe oferece gratuitamente o conhecimento para tornar-se além de artista, profissional.

Só que isso infelizmente não passou da proposta, pois caiu a OMB, ainda no berço, nas mãos de um inescrupuloso que só se preocupou com seus interesses, jamais dedicando nenhum esforço para fazer avançar nem técnica nem socialmente a classe que ele deveria defender.

Contribuindo ao invés disso para o menosprezo do musico profissional, transformando o órgão criado para sua defesa e avanço num símbolo de opressão e corrupção, detestado por quase todos, entre músicos, artistas e empresários.

Tanto é assim, que nestes poucos meses da nova administração a quantidade de novas inscrições e o retorno de membros afastados é assombrosa.

O que se faz necessário é que os músicos compreendam a verdade do que ocorria, e ao invés de combater a solução, ajudem a melhorar o que poderia já ser muito bom.

Temos mais de 30 anos de atraso já que a ditadura para todas as outras classes terminou na década de 80 e na nossa acabou a menos de um ano.

Dentro da OMB, é que pode estar a semente para adquirirmos através do esclarecimento a dignidade que todo trabalhador merece.Quem sabe um dia teremos um músico eleito para a presidência do país? Na época em que o ditador da ordem dos músicos foi colocado no poder, o país não imaginava ser possível um metalúrgico ocupar esse cargo. Agora com a democracia reinstalada na OMB podemos aspirar a ter os direitos das outras classes.

Mas para isso é fundamental a adesão de todos, pois numa democracia só tem força o grupo e o nosso vai ter de aprender como se faz, pois a maior arma do poder bruto é manter desunidos aqueles a quem escraviza.

Só assim poderemos encontrar um dia, no quesito profissão num formulário de banco, a categoria músico, em vez de ouvir repetidamente quando perguntados sobre nossa profissão:

-Ah, você é músico, mas o que você realmente faz, em que trabalha de verdade?

 Carlos Alberto Gelman

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